Não espere o último reboco cair.

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In Vida

Existem momentos na vida da gente que é preciso parar e analisar: isso aqui não me faz bem. E ainda tem que se analisar o período de tempo: faz muito tempo. E o que você está fazendo para mudar isso?

Fazem 8 anos que eu moro no mesmo apartamento. Aqui já fui casada e tive outros namorados depois que o casamento acabou. Cada parede ou fresta guarda um pouco de cada momento que aqui vivi. Desde os bons, até os ruins, é claro.

Tem aquela parede que foi machucada pela mudança do primeiro dia de 2008, em que começamos a chamar isso aqui de lar. Ela foi consertada, mas voltou a cair há, acho que, um ano atrás. Essa quina de parede que vai da sala pro quarto sempre me incomoda. Olhar para ela me faz refletir sobre milhares de outras coisas.

Outro dia parei para pensar nas coisas que já tive que consertar aqui em 8 anos. Até meu coração teve que ser remendando com silver tape algumas vezes, pra não contar algumas que eu passei massa corrida e alisei, alisei pra ver se ficava bom também. E ficou. A gente espera que em tudo possamos dar um jeito, um remendinho, um retoque na pintura, mas tem coisas que só indo em busca de outro lugar para que possa ficar 100% consertado em nós.

Aquela parede do lado do banheiro, que a Olivia resolveu raspar as bolhas até tentar sair no apartamento da vizinha, eu escondi com um pequeno gaveteiro, que também me incomoda ali. Aquelas gavetas não guardam apenas tecidinhos bonitos, mas guardam também um tanto de história que acho que deveriam ficar aqui.

A cozinha que eu já pensei em mudar mil vezes, comprar novos móveis, tirar coisas do lugar, também já não me agrada. E olha que é um dos lugares que mais me dá prazer, pois eu amo cozinhar. Eu já não tenho mais vontade de fazer isso aqui. Então a cada louça que eu lavo eu penso: é  momento de uma cozinha nova, Sara. É momento de dar adeus a rosca da torneira que quebrou faz alguns meses e tu novamente consertaste. Não dá mais pé nessa cuba de pia.

Nesse apartamento eu decidi, que teria cachorros de novo. E assim eu conheci o Wasabi. Depois de alguns meses veio a Olivia. E hoje somos 3, felizes em podermos ir embora em trio, não mais sozinhos. Aqui eu tive enfim uma pequena família por mim criada. Aqueles dois seres que me fazem ter vontade de voltar pra casa todos os dias. E isso é algo muito valioso para mim.

Não me arrependo de nada que aqui vivi, nem de amar muito todas as pessoas que me ajudaram nesse tempo que aqui estive. Não tenho mágoa de nenhum dos amores que acabaram aqui dentro ou ali no portão. Tudo foi aprendizado, tudo foi evolução. Tudo aconteceu para que eu seja um pouco mais o que sou hoje, uma pessoa que aprendeu a conviver com todo tipo de problema (e solução), mas jamais desanimar. Eu sinto que, na verdade, foi o que tinha exatamente que ser.

O gaveteiro vai ficar, a cozinha também…eu vou levar o que me faz bem, que resumindo é uma dúzia de móveis e os meus dois cachorros, meus pertences pessoais, of course, e uma baita vontade e esperança que tudo vai ser muito mais legal em um novo lugar, com histórias e pessoas novas. Novos jantares e visitas de amigos. Mais cervejas sentada no chão novo e a Nina Simone cantando de fundo. Porque eu acho que é momento de se sentir bem, o tempo passa rápido demais pra gente ficar parado em um lugar que não faz mais a gente evoluir. Não há pra onde expandir o telhadinho.

Não deixe o último pedaço de reboco cair para você ter que ir embora. Vá logo, hoje, comece a planejar o que você almeja como o melhor pra você. A vida é só sua e estás aqui para viver ela da melhor forma possível.

É tempo de novos ares, novas cores e, quem sabe, novos amores.

Segura na minha mão. 😉

 

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