O amor e a válvula do gás.

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In Vida

Refletindo sobre a vida (minha e de alguns amigos) chego a algumas conclusões: Frida Kahlo disse que onde não tivesse amor não era para a gente se demorar. Porém, ao meu ver, você não sai amando em dois dias ou em uma semana. Você precisa de um tempo para amar alguém, ou saber que jamais amará aquela pessoa.

Já diria aquele ditado da internet que “Te amo não é bom dia”

Muitas pessoas banalizam o amor por um estado de carência catastrófica achando que toda e qualquer nova pessoa é o amor da sua vida. É possível amar quem nunca se viu? É. Como já foi mostrado em um futuro (nem tão distante) no filme “Her“. No entanto, essa urgência de amor, também leva a odiar a pessoa na mesma intensidade, quando esse suposto amor não é correspondido. Ódio seria algo muito pesado para se sentir por alguém, alguns diriam, não acham? E o amor não? É como não acreditar em deus e ter medo do diabo. Não tem como. Se você não acredita que existe deus, porque você acredita na existência de seu oponente? Concordo que podemos ter vários amores na vida, porém nem todas as pessoas serão amores.

Já Bukowski disse que o amor é dito muitas vezes cedo demais e acho que concordo mais com ele do que com o resto das teorias.

(Coisas que eu penso enquanto troco a válvula do gás da cozinha, que ontem estava vazando e me fez pensar que a gente poderia ter explodido em apenas uma faísca de um cigarro acendido.)

Deixo vocês com o poema completo do velho Buk.

-Uma definição-

amor é uma luz à
noite atravessando o nevoeiro

amor é uma tampinha de cerveja
pisada no caminho
do banheiro

amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado

amor é o que acontece
uma vez a cada dez anos

amor é um gato esmagado

amor é o velho jornaleiro na
esquina que
desistiu

amor é o que você acha que a outra
pessoa destruiu

amor é o que desapareceu junto
com a era dos navios encouraçados

amor é o telefone tocando,
a mesma voz ou uma outra
voz mas nunca a voz
correta

amor é traição
amor é o incêndio dos
sem-teto num beco

amor é aço
amor é a barata
amor é uma caixa de correio

amor é a chuva sobre o telhado
de um velho hotel
em Los Angeles

amor é o seu pai num caixão
(aquele que te odiava)

amor é um cavalo com a perna
quebrada
tentando se levantar
enquanto 45.000 pessoas
observam

amor é o jeito que nós fervemos
como a lagosta

amor é tudo que nós dissemos
que não era

amor é a pulga que você não consegue
encontrar

e o amor é um mosquito

amor são 50 lançadores de granada

amor é um pinico
vazio

amor é uma rebelião em San Quentin
amor é um hospício
amor é um burro parado numa
rua de moscas

amor é um banco de bar vazio

amor é um filme do Hindenburg
se retorcendo
um momento que ainda grita

amor é Dostoiévski na
roleta

amor é o que se arrasta pelo
chão

amor é a sua mulher dançando
colada com um estranho

amor é uma senhora
roubando um pedaço de
pão

e o amor é uma palavra usada
muitas vezes e
muitas vezes
cedo demais.

– BUKOWSKI, Charles. Amor é tudo que nós dissemos que não era.

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