Livros Favoritos #1

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Eu fiz faculdade de Letras porque gostava muito de ler. Sim, essa era minha premissa depois que desisti de tentar entrar no Jornalismo da Federal. Confesso que na faculdade, o que eu mais detestava eram as aulas de Lingüística (tenho trauma de Saussure até hoje), e o que eu mais amava eras as aulas de literatura de todo o mundo. Por lá conheci alguns autores que ainda não tinha lido e eles ficaram para sempre nos meus favoritos. Falei tudo isso, porque vou contar ao longo de algumas semanas para vocês quais são meus 5 livros preferidos. Vamos ao primeiro?

  1. As Flores do Mal – Charles Baudelaire

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Le Fleurs du mal (título original) foi considerado um épico da poesia simbolista e moderna, que é compila de forma maravilhosa todos os motivos da escrita de Charles: a queda, a expulsão do paraíso, o amor, o erotismo, a decadência, a morte, o tempo, o exílio e o tédio. Quem nunca?

Por Paul Valéry:
“As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstrata e poderosa.”

Pelo próprio autor:
“Neste livro atroz, pus todo o meu pensamento, todo o meu coração, toda a minha religião (travestida), todo o meu ódio.”

O livro é dividido em cinco seções temáticas:

  • Spleen et Idéal (Tédio e Ideal)
  • Tableux parisien (Quadros Parisienses)
  • Le Vin (O Vinho)
  • Les Fleurs du Mal (As Flores do Mal)
  • Révolte (Revolta)
  • La Mort (A Morte)

A uma passante

A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
So te verei um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado — e o sabias demais!

(Charles Baudelaire)

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